terça-feira, 20 de julho de 2010

Cobertura da 4ª etapa

Olá a todos,

A quarta etapa do Paulistano Open Poker superou novamente as expectativas. Com 110 jogadores, recorde do Open Poker, tivemos uma premiação total de R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais).

O destaque desta etapa foi a expressiva presença feminina no torneio e o grande número de iniciantes, que puderam sentir como é jogar um torneio ao vivo e certamente tiveram boas horas de diversão. O torneio contou com presenças de vários novos jogadores, além dos já conhecidos.

A nossa patrocinadora COPAG novamente distribuiu brindes de ótima qualidade para os finalistas do torneio. Além disso, a Card Player Brasil colocou à nossa disposição 50 exemplares da maior revista de poker do Brasil. Fica aqui registrado o nosso agradecimento.

Veja a cobertura completa no site do Open Poker: http://www.openpoker.com.br/

Elas dão as cartas

Ainda há poucas jogadoras de pôquer no Brasil. Mas, aos poucos, elas ganham mais espaço e mostram seu potencial

Estadão.com.br

É preciso mostrar inúmeras variações de raciocínio e de ações. E a vitória pode render muito dinheiro, já que são movimentados milhões de dólares no mundo todo, ao vivo ou virtualmente. Assim é o pôquer, um fenômeno mundial que vem conquistando adeptos a cada dia e foi reconhecido como um esporte que envolve inteligência, percepção, estratégia, disciplina, habilidade e matemática.

A mulher no mundo do pôquer ainda é tida como figura frágil, porém decidida. Lá fora, elas estão em evidência e já conquistam patrocinadores. No Brasil, ainda há poucas jogadoras, mas com enorme potencial. Torneios e circuitos estão sendo realizados em todo o território nacional. As transmissões pela TV aumentaram a popularidade. Jogadores que não querem se expor ainda têm a possibilidade de jogar pela internet - estima-se que 2 milhões de pessoas pratiquem o pôquer pela rede, segundo o Brazilian Series of Poker (BSOP).

"Espero que possamos alcançar o espaço que as mulheres lá fora já têm. Para isso, precisamos de mais união", alerta a jogadora Alê Braga, uma das grandes referências nos torneios. Alê tem 32 anos, é formada em Administração de Empresas, trabalhou em bancos e empresas de tecnologia e começou a jogar há três anos, quando viajou com o marido, também jogador, para Las Vegas.

Antes de voltarem para o Brasil, compraram vários livros sobre o tema e começaram a estudar. Um ano depois, o hobby rendeu frutos. "Aí percebi que o jogo era realmente de habilidade e pedi para meu marido me treinar. Peguei gosto e passei a me dedicar. Os resultados vieram na sequência", conta.

Destemida. Seu estilo de jogo é o tigh-agressive: ou seja, aposta para valer. Também se adapta à mesa, observando a forma de jogar dos adversários e tentando encaixar a melhor estratégia para cada um. "É o segredo."

Alê já participou de mais de cinco mesas finais (formadas pelos 10 melhores) nos torneios do Venetian, em Las Vegas, todos com algo entre 400 e 700 participantes. Constam no seu currículo também mais de três mesas finais no campeonato brasileiro, um segundo lugar em um dos maiores torneios do Brasil, além de várias conquistas em torneios com menor número de participantes.

Ficou encantada quando teve a chance de jogar com muitas pessoas que admira. Mas seu sonho é estar ao lado de Doyle Brunson, que, segundo ela, é a pessoa mais querida e experiente no mundo do pôquer. Ele tem 77 anos, joga profissionalmente desde os 18, e até hoje não perde um torneio importante. "É um exemplo maravilhoso de profissional bem sucedido", diz.

Alê diz que seu marido controla e administra os retornos obtidos pelo casal com o pôquer. "Conseguimos comprar um bom apartamento, temos carros novos e viajamos muito. Nosso padrão é superior ao de antes."

Seu último campeonato foi o Venetian Deep Stack, este ano. Jogou 10 torneios e fez dois grandes resultados. No primeiro, pegou o 13º lugar, entre 532 jogadores, e no segundo ficou em 6º, entre 649. "No ranking geral, tenho boa colocação e estou em primeiro entre todas as mulheres."

Sua meta é jogar no evento principal da WSOP (torneio com US$ 10 mil para entrar e premiação média total de US$ 70 milhões, com 7 mil participantes), e outros deste porte. "Enquanto tiver saúde e energia, quero continuar jogando. Como é um esporte da mente, sei que o pôquer vai me ajudar a ser sempre ativa, pelo menos enquanto estiver praticando."

Sedução. A arquiteta Hemily França Guimarães tem 25 anos e começou a jogar pela internet, diariamente, há dois e meio. Conheceu o pôquer por meio de um programa de TV, que, coincidentemente, falava das vantagens que as mulheres levam nesse esporte, já que intimidam os homens, por se tratar de um jogo em que se usa muito o olhar para identificar o oponente.

"Coloquei (na web) uma foto provocante, porque eles perdem a atenção." Conta que tem até jogador homem que usa foto de mulher como estratégia para tirar a concentração do adversário. Hemily aprendeu os truques direitinho. Pois já notou, também, que os homens querem mostrar que são gentis e abrem mão de ganhar o jogo para flertar. "Aproveito bastante", brinca.

Quando começou a jogar, a mãe e o namorado foram contra, com medo de que ela ficasse viciada. Já o padrasto apareceu com quatro livros, lhe deu dinheiro e já formatou uma divisão dos lucros. "Só quando perceberam que se tratava de um jogo de inteligência é que me apoiaram." Por meio do pôquer, Hemily juntou US$ 700 em dois meses. Tem a meta de chegar a US$ 2 mil, até o fim do ano.

Seu último namoro não durou muito, porque o pôquer gerava ciúme, já que dedica muito tempo a isso. "Ensinei meu novo namorado a jogar para não ter problemas." Para não ficar viciada, Hemily tem uma regra: se perde três partidas, para. "Aprendi com outros jogadores que precisamos nos controlar quando estamos perdendo", ensina. E mais: lembra que a concentração feminina é prejudicada quando há algum problema pessoal, mesmo que seja uma briguinha boba com o namorado. Nesses dias, é bom passar longe do pôquer.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pontuação 4ª etapa

Pontuação 4ª etapa
LugarNomePontosGanhos
Dantes Hashizumi629,3R$ 920,70 (Acordo)
Fabio Toth445,0R$ 920,70 (Acordo)
Suetonio da Silva363,3R$ 920,70 (Acordo)
Thiago Lima314,6R$ 486,00
Eduardo Motoike281,4R$ 324,00
Rodrigo Vieira256,9R$ 270,00
Saraiva237,8R$ 216,00
Dino Tudor222,5R$ 162,00
Eduardo José Alves209,8R$ 135,00
10ºBruno Sabino199,0R$ 118,80
11ºDanilo Medeiros Akagui189,7R$ 118,80
12ºRenato Irmão181,7R$ 118,80
13ºDaniel Kodama174,5R$ 116,10
14ºDiogo Cyrineu168,2R$ 116,10
15ºAlyson dos Santos162,5R$ 116,10
16ºCristiano Rocha157,3R$ 113,40
17ºIvan Marinho152,6R$ 113,40
18ºClaudio Alexandre148,3R$ 113,40
19ºDouglas Fernandes144,4
20ºDouglas Rogério Ramos140,7
21ºVagner Preste137,3
22ºMelissa Hashizumi134,2
23ºKawan Kawasaki131,2
24ºRafael Lucchimi128,5
25ºVinícius Ferreira Neves125,9
26ºSilvano Justino Pereira123,4
27ºGeorge Piropo121,1
28ºDanilo Hessel Sanches118,9
29ºVictor B. Vieira116,9
30ºPriscila Ap. Batista114,9
31ºPaulo R. Sakai113,0
32ºFernando Nogueira111,2
33ºDiogo Henrique Batista109,5
34ºLuís Fernando Cury107,9
35ºLuiz Borges106,4
36ºEduardo Alves Rocha104,9
37ºMarcelo Cordeiro103,5
38ºJosé Ricardo Batista102,1
39ºAdriano Kairala100,8
40ºJosé Luiz99,5
41ºRogério Xavier98,3
42ºRichad Martin97,1
43ºMarcelo Favretto96,0
44ºAndré Arruda94,9
45ºMarcio Szymanski93,8
46ºWladimir Campos92,8
47ºTaryn Mardegan91,8
48ºSilvio Augusto90,8
49ºPaulo Henrique89,9
50ºIvanildo Ponciano89,0
51ºJefferson Cândido88,1
52ºAlmir de Oliveira87,3
53ºAndré Augusto86,4
54ºEllen Flor85,6
55ºAugusto Bernado84,9
56ºFabio Ytikawa84,1
57ºGustavo Oliveira83,4
58ºElisandro Tavares82,6
59ºAurelio de Carvalho81,9
60ºFábio Kairala81,2
61ºThierry Oliveira80,6
62ºGilson de Freitas79,9
63ºElias Boscato79,3
64ºGeraldo Gondolo78,7
65ºChristiano Ferreira78,1
66ºEduardo Domingues77,5
67ºRenato Manfrini76,9
68ºJairo de Andrade76,3
69ºWalmor75,8
70ºYaskara Kawasaki75,2
71ºMarcos Brito74,7
72ºRoni Batista74,2
73ºSérgio Ricardo73,7
74ºCléber Jesus73,2
75ºSergio dos Santos72,7
76ºJoão Campos72,2
77ºFabio Ortuño de Melo71,7
78ºMarcio Takada71,3
79ºLidia Campos70,8
80ºFabio Albuquerque70,4
81ºRodrigo M. C. Nogueira69,9
82ºGeraldo Donizete69,5
83ºReinaldo Hayakawa69,1
84ºPablo Motoya68,7
85ºHomero Rodrigues68,3
86ºMarcos Paulo67,9
87ºDaniel Nishikawa67,5
88ºRonaldo de Melo67,1
89ºGeraldo César66,7
90ºGustavo Pavão66,3
91ºDiego Bennati66,0
92ºEduardo Martins65,6
93ºAndré Longo65,3
94ºFábio Westphal64,9
95ºLuciano Pacitti64,6
96ºSergio Neves de Souza64,2
97ºJefferson Fullen63,9
98ºWellington de Oliveira Souza63,6
99ºElton da Silva63,2
100ºFernando Maiola62,9
101ºMarco Antonio62,6
102ºPedro Ruck62,3
103ºMichel Monteiro62,0
104ºMárcio Yoichiro61,7
105ºOctavio Hashizumi61,4
106ºDeni Bignardi61,1
107ºLiliana Hashizumi60,8
108ºAntonio Augusto60,6
109ºMarcio Sawada60,3
110ºAlberto William60,0

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pôquer não é um jogo de azar, diz perito

Para Ricardo Molina, jogo de cartas exige habilidade e capacidade de leitura do oponente; jogo de azar é monopólio do Estado

Gustavo Poloni, iG São Paulo

O perito Ricardo Molina não entende a polêmica sobre a legalidade do Texas Hold'Em, modalidade mais popular do pôquer. Depois de estudar o jogo, chegou à conclusão de que as vitórias de um jogador na mesa de carteado não dependem do acaso (não gosta de falar em sorte ou azar), e sim da habilidade em contar carta e ler corretamente as reações do seu oponente.Conhecido por trabalhar em casos de grande repercussão, como o assassinato de Paulo César Farias (PC Farias), tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello à presidência, e do assassinato da menina Isabella, jogada da janela pelo pai e a madrasta, ele acredita que problema está na lei, que define o jogo de azar como aquele que depende "única e exclusivamente da sorte". "Jogo de azar não é proibido no Brasil", disse Molina ao iG do seu escritório em Campinas, no interior de São Paulo. "O que é proibido são empresas privadas explorarem os jogos de azar". Acompanhe os principais trechos da entrevista:

iG: Por que o senhor resolveu estudar o pôquer?

Ricardo Molina: Um cliente que estava querendo abrir um clube de pôquer pediu um laudo para saber qual é a parcela de sorte, azar e habilidade na modalidade Texas Hold'Em. Todo jogo que tem uma parcela de azar, mesmo o futebol. Durante a Copa do Mundo, o Uruguai fez um gol na África do Sul depois que a bola bateu nas costas de um zagueiro e encobriu o goleiro. A questão é saber onde está o limite. O estudo mostrou que o jogador mais habilidoso ganha no Texas Hold'Em. Em uma rodada o fator sorte é preponderante, mas uma partida não se resume a uma rodada. Não há dúvida de que habilidade é preponderante no longo termo.

iG: Como o senhor chegou a essa conclusão?

Molina: Vamos dizer que 0,1% do jogo seja habilidade. Quando aplicamos isso numa equação matemática, aquele componente que era pequeno vai se acumulando. No longo prazo, quem tem mais habilidade vence. É um jogo onde a sorte influencia, mas ganha o mais habilidoso. Analisamos as rodadas de campeonatos e concluímos que mais de 60% das mãos vencedoras não tinham o melhor jogo. O bom jogador ganha na habilidade de apostar, de persuadir o oponente. Ele tem de fazer contas, analisar a quantidade de apostas do outro. Com isso, imagina o que o adversário tem e pensa no seu próximo passo. É mais uma prova de que não é a sorte o preponderante. Tem um ditado famoso no Texas Hold'Em que diz que se você não sabe quem é o pato na mesa, é porque o pato é você.

iG: Qual é a importância da sorte no resultado do pôquer?

Molina: Prefiro não falar em sorte ou azar, mas no acaso. O que é azar para um é sorte para outro, já o acaso está presente em todos os momentos. É como pegar uma moeda e jogar cara e coroa. No curto prazo pode acontecer de ter mais cara do que coroa. Mas se você jogar insistentemente vai chegar o momento em que o número vai se igualar porque a probabilidade é a mesma. No Texas Hold'em é a mesma coisa. A sorte é um mito que jogador inventa para continuar jogando. A probabilidade de pegar um jogo bom é igual para todos. E aí qual é o fator que vai pesar? Habilidade.

iG: Mas nunca sabemos o que vai sair na próxima carta. Isso não é sorte ou azar?

Molina: O jogo que você vai receber está definido pelo acaso. Até o momento em que recebe as cartas é acaso. Mas acaso em termos. A cada vez que você perde uma rodada, o fato de prosseguir ou não no jogo depende de uma análise, e a análise depende de habilidade. O jogador tem de tentar avaliar as chances de continuar no jogo e ganhar. Como as cartas são distribuídas a cada rodada, o fator habilidade se manifesta a cada vez que recebe a carta. O fator habilidade funciona o tempo todo.

iG: Como a habilidade e o conhecimento do pôquer influenciam no resultado?

Molina: O jogador usa vários tipos de habilidade durante o jogo, mas dois são importantes: contar carta e avaliar o comportamento do oponente. O bom jogador fica de olho no que o adversário faz, se muda de comportamento quando pega um jogo bom, se aposta, se tem reação ou cacoete. Não é à toa que os bons jogadores usam óculos escuros. A pupila se contrai com variação do estado emocional. Se ele recebe um jogo bom, a pupila mexe e o oponente vê isso. É um jogo de psicologia. É um jogo de psicologia muito mais do que sorte.

iG: O que é mais importante na hora de jogar pôquer: sorte, conhecimento matemático ou fazer uma boa leitura do seu oponente?

Molina: No Texas Hold'Em, leitura do oponente. Mas isso varia de um jogo para outro. Em Black Jack é mais importante contar a carta, tanto é que cassinos fazem de tudo para dificultar isso. O cara que tem memória sabe qual é a melhor hora de parar ou continuar no jogo. No Texas Hold'em o jogador não troca carta, ele tem de avaliar o comportamento do oponente e ganha quando sabe que seu adversário vai desistir, quando ele não tem jogo ou quando está blefando.

iG: Em abril o pôquer foi aceito pela Associação Internacional dos Esportes da Mente (IMSA), que abriga o xadrez, dama e outros jogos de tabuleiro. O senhor acha que ele pode ser comparado a esses jogos?

Molina: O xadrez é um jogo em que o fator acaso tem pouquíssima influência. Não digo nenhuma porque não acredito que jogos não tenham acaso, um jogador pode ter uma dor de cabeça e vai prejudicar a performance dele. O xadrez é um jogo que quem jogar melhor ganha. No Texas Hold'Em nem sempre é assim. É assim no longo termo. Quem jogar muitas mãos e for mais habilidoso ganha.

iG: Na sua opinião o pôquer é um jogo que depende única e exclusivamente da sorte?

Molina: Isso é bobagem. Acho que o Texas Hold'em deveria ser permitido porque é predominantemente de habilidade, ao contrário da loteria. Esse, sim, é exclusivamente de azar.

iG: O pôquer deveria ser legalizado?

Molina: Sim. Para mim o pôquer é muito parecido com o turfe. As pessoas apostam no cavalo que acham que vai ganhar porque conhecem o histórico dos cavalos, dos jóqueis. Mas sempre tem o azarão que ganha. Se proibir o Texas Hold'Em tem de proibir o turfe. Outras coisas que são predominantemente jogos de azar. É o caso do caça-níquel. A verdade é que a lei sobre jogos de azar está mal redigida. Eles não querem melhorá-la porque senão teria de proibir loterias, como a Mega Sena. Jogo de azar não é proibido no Brasil. O que é proibido são empresas privadas explorarem os jogos de azar.

Reconhecido como esporte, pôquer quer distância de jogos de azar

Com a afiliação à Associação Internacional de Esportes da Mente, entusiastas ganham argumento na briga pela legalidade do jogo

Gustavo Poloni, iG São Paulo

Os entusiastas do pôquer ganharam mais um argumento na cruzada para provar que o bom desempenho no jogo não depende única e exclusivamente da sorte – o que, de acordo com a legislação brasileira, caracteriza os jogos de azar, proibidos no País. Em abril, a Associação Internacional de Esportes da Mente (IMSA) aceitou a Federação Internacional de Pôquer (IFP) em seus quadros. Na prática, a entidade coloca o jogo de cartas no mesmo patamar de esportes de tabuleiro como xadrez, dama e gamão. Com a decisão, divulgada durante o congresso anual da entidade, o pôquer vai entrar no calendário da próxima edição dos Jogos Mundiais dos Esportes da Mente, que serão realizados em 2012 no Reino Unido. "Isso deve ajudar o pôquer a se livrar de interferências governamentais e outras restrições ao redor do mundo", afirmou à época Anthony Holden, presidente da IFP.

As restrições a que Holden se refere podem ser aplicadas ao Brasil. Nos últimos anos, a discussão jurídica em torno da legalidade do pôquer voltou à tona por causa do aumento no número de jogadores no País – seja em sites como o Pokerstars.net ou em clubes onde se pratica o Texas Hold'em, modalidade mais popular do jogo. Os dois lados defendem suas posições usando como argumento o Decreto-Lei 3.688, de 1941, cujo texto diz que jogo de azar é aquele "em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte". Para aqueles que brigam para proibir o jogo, a lei enquadra o pôquer porque um resultado depende do acaso na hora de virar as cartas. Os que defendem sua liberação dizem o jogo requer habilidade e o conhecimento de regras e estratégias. "Temos uma série de laudos técnicos e pareceres jurídicos que comprovam isso", diz Igor Trafane, conhecido como Igor Federal, empresário e presidente da Confederação Brasileira de Texas Hold'em.

Um dos laudos a que Federal se refere é assinado pelo perito Ricardo Molina. Conhecido por atuar em casos de grande repercussão nacional, como o assassinato de Paulo César Farias, tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, e da menina Isabella, jogada pela janela pelo pai e a madrasta, Molina foi contratado para estabelecer qual é a influência da sorte no jogo. O resultado? Muito pouco. "É um jogo onde a sorte influencia, mas ganha o mais habilidoso", disse o perito. "Analisamos as rodadas de vários campeonatos e concluímos que mais de 60% das mãos vencedoras não tinham o melhor jogo em mãos". Para Molina, o bom jogador de pôquer ganha na habilidade de apostar e de persuadir o oponente. Entre as habilidades que ajudam a fazer a diferença na mesa de jogo, a capacidade de fazer contas, analisar a quantidade de apostas e as reações dos oponentes. Com isso, o jogador imagina o que o adversário tem em mãos e pensa no seu próximo passo.

Alguns anos atrás, os jogadores que frequentavam clubes de pôquer eram constrangidos por constantes batidas policiais. No meio da partida, dezenas de policiais armados invadiam a casa em busca de indícios de jogos de azar. Há quatro anos, um investigador pediu um laudo para o Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Queria saber se o pôquer dependia ou não da sorte. Após analisar os dados, os peritos concluíram que o Texas Hold'em é um jogo de habilidade porque depende da "memorização, das características das figuras (...) e do conhecimento das regras e estratégia de atuação". De lá para cá, as batidas policiais em São Paulo diminuíram drasticamente. "Não por acaso as mesas finais dos torneios são disputadas quase sempre pelos mesmos jogadores", disse Luiz Guilherme Moreira Porto, sócio do escritório Reale e Moreira Porto Advogados. "Isso mostra que se fosse só sorte não teria essa coincidência".

Jogos de azar

Estima-se que dois milhões de pessoas joguem pôquer no Brasil, sendo que quase metade delas faz apostas na internet. De acordo com o Ibope, em abril 838 mil brasileiros jogaram pôquer em sites como Pokerstars.net e FullTilt.com, aumento de 238% nos últimos 12 meses. Mas um projeto de lei em tramitação no Senado pode acabar com os jogos na internet. De autoria do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), se for aprovada ela vai punir com pena de um a três anos de prisão os bancos e empresas de cartão de crédito que permitirem as transações financeiras em sites de pôquer. "Elas promovem o jogo de azar na internet", disse o senador. O deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) tem outro argumento para defender o fim de jogo de azar. Segundo ele, esse tipo de atividade é tradicionalmente explorada pelo crime organizado, a primeira milícia que se instalou no país e está por trás de assassinatos e corrupção. "Por causa disso não sou favorável a nenhum tipo de jogo no País", afirmou Itagiba.

Como a lei dá espaço para diferentes interpretações, os jogos de azar vivem numa espécie de limbo jurídico. Alguns são proibidos, como é o caso dos bingos. Em 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou uma medida provisória determinando o fechamento de todas as casas do País. Já as loterias são legais. Para acertar os seis números da Mega-Sena e levar o prêmio milionário é preciso contar com a sorte durante o sorteio das bolinhas. Outra forma de aposta legal é a corrida de cavalos. De certa forma, a corrida ela é muito parecida com o pôquer porque depende de habilidade. As pessoas apostam no cavalo que acham que vai ganhar porque conhecem seu desempenho em provas. Para poder funcionar sem sofrer com batidas policiais e questionamentos jurídicos, as duas atividades têm uma lei específica. "Jogo de azar não é proibido no Brasil", disse Molina. "O que é proibido são empresas privadas explorarem os jogos de azar".

Pôquer ganha adeptos, jogadores-celebridade e vira febre no País

Número de jogadores online cresceu 238%. Para atender ao novo mercado, foram criados sites, revistas, programas de TV e até roupas

Gustavo Poloni e Pedro Carvalho, iG São Paulo

Todos os dias, cerca de 150 pessoas se reúnem em uma casa com fachada de vidro no Itaim Bibi, bairro nobre da zona sul de São Paulo, onde um letreiro indica: Grêmio Recreativo Social e Cultural Hold'em. No imóvel de três andares, dois seguranças e um detector de metal na porta, os frequentadores se acomodam em volta de 20 mesas usadas para disputar partidas de Texas Hold'em, a modalidade mais popular do jogo de cartas pôquer. A jogatina começa às 17h30 e só acaba de manhã – não raro os últimos jogadores deixam a casa com o raiar do dia. As apostas contemplam todos os gostos e variam entre R$ 50 a R$ 3,3 mil. Os prêmios? Em alguns casos chegam a R$ 100 mil. Criado em 2006, o H2 Club tem 14 mil associados e é um retrato da febre do pôquer que tomou conta do Brasil. Levantamento do instituto de pesquisas Ibope mostra que, em abril, 838 mil brasileiros acessaram os principais sites de pôquer, aumento de 238% em relação a maio de 2009. Já o número de inscritos no Brazilian Series of Poker, o campeonato brasileiro da categoria, quase quadruplicou – no ano passado foram 3,2 mil jogadores atrás de prêmios de até R$ 150 mil e fama desfrutada por atletas de esportes mais populares, como o futebol. Para atender a essa nova tribo, nos últimos meses surgiram revistas, sites especializados, programas de TV, coleções de roupas e cursos sobre pôquer no País.

Estima-se que dois milhões de pessoas joguem pôquer no Brasil. Em sua grande maioria, são "atletas" de final de semana. Mas começa a surgir uma safra de jogadores profissionais que levam uma vida que lembra, guardadas as devidas proporções, a de um Neymar ou do Paulo Henrique Ganso, as estrelas ascendentes do futebol. A rotina envolve disciplina para treinar (alguns praticam até 12 horas por dia), muitas viagens (principalmente para Las Vegas, nos Estados Unidos, considerada a capital mundial do jogo), compromissos com patrocinadores (em sua maioria sites), um séquito de fãs que seguem seus passos em blogs e perfis na rede de microblogs Twitter e relacionamentos com mulheres lindas e famosas. Tome como exemplo o jogador Felipe Ramos. Filho de uma família de classe média-baixa de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, largou um emprego de seis anos em uma multinacional para ganhar a vida com as cartas. Aos 27 anos, Mojave (apelido adotado por ele, prática comum no meio) faturou mais de US$ 1 milhão em prêmios e é patrocinado pelo site PartyPoker. Hoje, divide o tempo entre São Paulo, Las Vegas e Los Angeles, onde vive a namorada, Marianela Pereyra, modelo e apresentadora do programa Poker After Dark, exibido nos Estados Unidos pela rede NBC. "Já gastei muito dinheiro com coisas que pobre nunca teve na vida, como carro e jantares caríssimos", disse Mojave em entrevista ao site MaisEV.